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Dia Do Índio

Dia do Índio

Ontem, dia 19 de abril, foi “comemorado” o dia do índio, uma data bastante controvérsia e que está inserida em diversos debates envolvendo a população indígena e a proclamação de seus direitos. 

Origem 

O dia do Índio foi oficializado por uma lei de 1943, pelo então presidente Getúlio Vargas, durante o regime do Estado Novo. Na época, a data foi uma inspiração do desenvolvimento da etnologia, um ramo do conhecimento que estuda as culturas originárias. Isso ganhou fôlego para construir políticas públicas para valorizar a cultura indígena, com o chamado Congresso Indigenista Interamericano. A origem da data remete a um protesto dos povos indígenas do continente americano ainda na década de 1940, quando um congresso organizado no México se propôs a debater medidas para proteger os índios no território.

E quais são as controvérsias por trás dessa data?

Primeiramente, é preciso entender que o termo “índio” já é um conceito ultrapassado. Doutor em educação pela Universidade de São Paulo e pós-doutor em Linguística pela Universidade Federal de São Carlos, Daniel Munduruku defende que a palavra “índio” remonta a preconceitos – por exemplo, a ideia de que o indígena é selvagem e um ser do passado – além de “esconder toda a diversidade dos povos indígenas”.

Por isso, “quando a gente comemora o Dia do Índio, estamos comemorando uma ficção”, fala Munduruku, a respeito do 19 de abril. Reflexo disso são celebrações da data feitas por escolas, com uma “figura com duas pinturas no rosto e uma pena na cabeça, que mora em uma oca em forma de triângulo”. “É uma ideia folclórica e preconceituosa.”

“A palavra ‘indígena’ diz muito mais a nosso respeito do que a palavra ‘índio’. Indígena quer dizer originário, aquele que está ali antes dos outros”, defende Munduruku, que pertence ao povo indígena de mesmo nome, hoje situado em regiões do Pará, Amazonas e Mato Grosso. A Federação Mato-grossense dos Povos Indígenas (FepoiMT) afirmou que a data celebrada do Dia do Índio nesta terça-feira (19) não é vista entre os indígenas como uma comemoração, mas sim como um ato de resiliência. “A nossa luta aqui em Mato Grosso é por demarcação de terras, pois há povos com esta demanda por políticas públicas construída conosco, investimentos nas áreas de educação, saúde e alternativas econômicas como as cadeias produtivas como castanha, mel, açaí, mandioca e artesanato”, disse.

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